Entre a divulgação científica e o mercado: dilemas éticos de influenciadores digitais de ciência

Autores

  • Simone Evangelista Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Faculdade de Comunicação Social, Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-5457-5737

DOI:

https://doi.org/10.29397/reciis.v18i4.4871

Palavras-chave:

Comunicação científica, Influenciadores de ciência, Mudanças climáticas, Ciência e mercado, Maquiagem verde

Resumo

Esta nota analisa os dilemas éticos enfrentados por influenciadores digitais de ciência ao se associarem a empresas controversas, como petroleiras, em parcerias publicitárias. Embora esses influenciadores construam credibilidade por meio de divulgação científica de qualidade, a monetização de conteúdos patrocinados por organizações que contradizem os princípios de sustentabilidade gera desconfiança. O caso de Atila Iamarino, que produziu conteúdos promovendo petroleiras enquanto alertava sobre os impactos climáticos dos combustíveis fósseis, ilustra essas contradições. Tal prática, marcada pelo “greenwashing”, instrumentaliza a reputação dos influenciadores para maquiar a imagem corporativa de grandes poluentes. Em um contexto de crescente atenção às mudanças climáticas e com a COP30 no horizonte, a relação entre ciência, mercado e política torna-se ainda mais desafiadora. Este texto defende que influenciadores devem usar sua posição para promover o interesse público, equilibrando as demandas comerciais com o compromisso ético de informar e mobilizar a sociedade.

Biografia do Autor

Simone Evangelista, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Faculdade de Comunicação Social, Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Doutorado em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense.

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Publicado

19-12-2024

Como Citar

Evangelista, S. (2024). Entre a divulgação científica e o mercado: dilemas éticos de influenciadores digitais de ciência. RECIIS, 18(4), 763–767. https://doi.org/10.29397/reciis.v18i4.4871

Edição

Seção

Notas de conjuntura