Aquilo que a amamentação retira e o desmame restaura: relatos maternos sobre tensionamentos e materiais de comunicação e informação em saúde

Irene Rocha Kalil, Adriana Cavalcanti de Aguiar

Resumo


Os discursos pró-aleitamento materno contemporâneos reforçam certos sentidos acerca da amamentação, ao mesmo tempo que silenciam outros, afeitos à relação da mulher com seu corpo, sua sexualidade e seu trabalho, bem como o processo de desmame. Neste artigo, buscamos, à luz da análise de discursos de inspiração foucaultiana, da psicanálise e de estudos feministas, dar visibilidade aos sentidos atribuídos pelas mulheres à experiência de amamentação, em toda sua complexidade, incluindo o desmame. Entrevistamos 11 mulheres que haviam amamentado e vivenciado o último desmame havia, no máximo, dois anos. Encontramos similaridades entre relatos maternos e discursos oficiais, mas identificamos também tensionamentos, perdas e ressignificações que a mulher experimenta no período de amamentação. As falas sobre o desmame (e mudanças decorrentes dele) indicam que este se encontra associado ao sentido de liberdade, de restauração de aspectos da identidade feminina que haviam sido tomados da mulher durante a gravidez e o período de amamentação.


Palavras-chave


Aleitamento materno; Desmame; Estudos de gênero; Saúde pública; Comunicação em saúde.

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DOI: https://doi.org/10.29397/reciis.v15i3.2328

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e-ISSN 1981-6278 

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