Racismo, eugenia e doença falciforme: o caso de um programa de triagem populacional

Gabriela dos Santos Silva, Clarice Santos Mota, Leny Alves Bomfim Trad

Resumo


O objetivo deste artigo é problematizar a relação entre eugenia e racismo associada às doenças genéticas, especifiamente à doença falciforme, tendo como referência o caso do Programa de Triagem Populacional (PTP), cuja implantação em Salvador, Bahia, não se concretizou devido às mobilizações sociais. Realizou-se uma pesquisa qualitativa, ancorada na perspectiva feminista e antirracista, que aliou a análise documental da proposta do programa e entrevistas em profundidade com mulheres negras com doença falciforme acerca da percepção sobre o conteúdo do programa. A análise do documento evidenciou conteúdos racistas e eugenistas, relacionados com um discurso de cerceamento do direito reprodutivo de mulheres com este agravo. Entre as mulheres negras entrevistadas, prevaleceu o sentimento de indignação frente à interdição de seu direito reprodutivo. Há necessidade de destituir práticas institucionais que se forjam sob o crivo do racismo institucional e produzem violências sobre os corpos negros.


Palavras-chave


Racismo; Eugenia; Doença falciforme; Direitos reprodutivos; Saúde da população negra

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DOI: https://doi.org/10.29397/reciis.v14i2.1881

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e-ISSN 1981-6278 

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