Comunicação na hanseníase: a recepção de materiais educativos por profissionais e usuários do Sistema Único de Saúde, no município do Rio de Janeiro, Brasil

Adriana Kelly Santos, Ana Paula Goulart Ribeiro, Simone Souza Monteiro

Resumo


A hanseníase é endêmica no Brasil e pode provocar danos físicos e psicossociais na vida das pessoas. Os Programas de Controle de Hanseníase nas três esferas do governo promovem campanhas de divulgação para fomentar a detecção de casos novos. Investiga-se os processos de produção-circulação-apropriação de sentidos sobre a hanseníase por meio da análise da recepção de materiais educativos, produzidos no Brasil (1972-2008), por pacientes de

1 Este artigo apresenta parte dos resultados de uma pesquisa desenvolvida no escopo do doutorado em Saúde Pública na Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Fiocruz, realizado por Adriana Kelly Santos, sob orientação da Doutora Simone Monteiro e co-orientação da Dra. Ana Paula Goulart Ribeiro. A pesquisa contou com o financiamento do CNPq. A primeira autora realizou as atividades de campo, análise dos dados, estruturação e redação do artigo. As demais autoras participaram das etapas de estruturação, redação e revisão final do manuscrito. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa da Ensp/Fiocruz (CAAE.0120.0.031.000-07).

hanseníase e profissionais de saúde da rede pública de saúde do município do Rio de Janeiro. Trata-se de uma pesquisa qualitativa (2005-2009) que realizou a coleta e análise de materiais educativos, observação participante, entrevistas semi-estruturadas e grupo focal. Na análise dos dados empregou-se a hermenêutica-dialética e a semiologia dos discursos sociais. Discutese que os programas de hanseníase apresentam uma comunicação vertical pautada em relações hierárquicas entre produtor-destinatário, na homogeneização dos públicos e de conteúdos. Existe uma lacuna na transição do discurso da lepra para hanseníase junto a população. Para os profissionais de saúde e os pacientes de hanseníase os materiais deveriam focalizar a gravidade da doença e suas dimensões socioculturais. Conclui-se que os programas necessitam promover estratégias e ações de comunicação condizentes com as demandas locais com foco nas especificidades da doença e das regiões.


Palavras-chave


Estudo de recepção; materiais educativos; comunicação; hanseníase; lepra

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DOI: https://doi.org/10.3395/reciis.v6i4.576

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